AFASO: comunicação que aproxima e mobiliza
Uma experiência de Relações Públicas, comunicação e cidadania no terceiro setor, vivida pela estudante Júlia Nichele Amaral, do curso de Relações Públicas da Unisinos, na disciplina Comunicação e Cidadania.
O ponto de partida
Tudo começou com uma conversa à distância. A Associação Famílias em Solidariedade (AFASO), fundada em 1994 em Porto Alegre, atua na formação humana e cidadã de crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade social. Eu ainda não conhecia a organização e, sem poder visitá-la, a escuta foi o meu ponto de partida.
Por meio de um questionário respondido pela presidente, Nilene Maria Nalin, descobri que o trabalho da AFASO era muito maior do que a sua capacidade de ser apresentado. A organização precisava comunicar melhor quem é e o que faz, para fortalecer o relacionamento com pessoas e empresas que podem contribuir financeiramente com a continuidade de suas ações.
A pergunta que guiou o trabalho: como comunicar melhor o trabalho da AFASO para aproximar novos apoiadores?
Do diagnóstico à ação
Com a necessidade clara, o desafio passou a ser transformá-la em algo concreto e útil. Planejei duas ações que se complementam: uma apresentação institucional, para a AFASO se mostrar a potenciais apoiadores, e um carrossel sobre o Imposto Solidário, para tornar conhecida uma forma simples de apoiar a organização.
Ação 1: apresentação institucional
A primeira necessidade era se apresentar bem. Criei um material que conta a história da AFASO, o que ela faz, por que seu trabalho importa e como é possível conhecê-la e apoiá-la. A escolha foi por uma linguagem acolhedora e objetiva, para que qualquer pessoa ou empresa entenda o trabalho da organização e se sinta convidada a participar.
Ação 2: carrossel sobre o Imposto Solidário
A segunda ação veio de uma sugestão da própria presidente: falar sobre o Imposto Solidário, uma forma de apoio ainda pouco conhecida. O carrossel mostra como é possível destinar parte do imposto de renda ao projeto AFASO – Reconstruindo Saberes, por meio do FUNCRIANÇA de Porto Alegre, e orienta o público a consultar as instruções oficiais. A ideia foi transformar um procedimento complexo em um convite simples.
Quando a comunicação chega à organização
Produzir os materiais era só metade do caminho: o que dava sentido ao trabalho era saber se fariam diferença para a AFASO. Acompanhei o retorno da organização e aprendi que comunicar bem começa por ouvir.
O retorno da AFASO
A resposta veio por mensagem, e foi uma das partes mais gratificantes da experiência. A equipe contou que os materiais já estavam sendo utilizados e que já haviam sido enviados a alguns apoiadores. O carrossel sobre o Imposto Solidário também foi encaminhado à equipe responsável pelas mídias sociais e hoje está publicado aqui no blog. Os materiais foram aprovados e já estão em uso no contato com apoiadores.
Diálogo com a teoria
Essa vivência mostrou, na prática, o que Kunsch (2016) defende: a comunicação organizacional precisa ser estratégica, planejada a partir das necessidades da organização e dos públicos com quem ela quer se relacionar. Foi a escuta inicial que definiu o que produzir, e não o contrário.
Também dialoga com Peruzzo (2013), que relaciona comunicação, participação e cidadania no terceiro setor. Ao ajudar a AFASO a se apresentar e a divulgar uma forma de apoio acessível, a comunicação funcionou como ponte entre a organização e pessoas que podem se tornar parte da sua rede de solidariedade.





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